quinta-feira, 23 de abril de 2026

corpo celeste


como astro de luz que teima

ascende por onde é frio

atreve-se desconhecido

recolhe ânsias alheias

em castelos bélicos

em cinzas que evaporam

porque veio para ser livre

e como um cometa

rasga os céus

de fevereiro a fevereiro

deixando-se feito rasto

reluz sêmen da vontade

e não cessa, brilha

não era para ser

não era

a vida é de nunca

acostumei-me com dores

elas me fazem companhia

há períodos que me vem

nem raio de luz

nem trovão

de meia estação

hospeda-se completo

entre amplexo e átrio

e feito milagre ateu

faz manhãs cantarem

dentro de um peito calado

o meu.

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