quarta-feira, 22 de abril de 2026

bípede


fui viajante em vernáculo ambíguo

e foi-se o tempo que me entregava

à bruma torpe e nevoada dele

ou a retóricas ambíguas e desencontradas

feito bromélia deixo-me molhar

e guardo em mim água alheia

a mágoa é raiz forte, meu amor

permanece grudada em terreno duro

caminho olhando para o céu, não nego

ele é tão imenso e tentador

que quase me convence

que o melhor seria voar

e quando dou por mim, sou bípede

dois pés de rocha bem presos ao chão

a palavra ludibria é pau e prego

e crucifica ingênuos.

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