quinta-feira, 2 de abril de 2026

perdida


nesse tempo lento

ando de mão com o tempo

que deu-me um abraço ausente

para suportar a desordem

meu poeta espreita-me

pelas frestas do caos

e sem sucumbir compõe-me:

nãos, versos e súplicas

e bem antes de ver o céu queimar

dispensa acordes certos e foge

dos dias que hão de raiar

não chora, para não mais sorrir

quem mais seguiria meus passos

nessas ruínas sitiadas

nessa cidade de pedras

cimento, pó e desistências?

segue-me de olhos perplexos

na envergadura desse medo

que insiste em nos pregar peças

e cada vez mais nos afastar

eu de boca fechada e olhos vendados

por ignorância e pouca razão

seguirei meus sentidos

sem dar ouvidos ao meu coração

Nenhum comentário:

Postar um comentário

valentia

guardaria meus deuses e mitos em voz baixa se o hedonismo me permitisse brandura e compaixão, mas não funciono assim. as palavras que afagam...