sábado, 2 de maio de 2026

valentia


guardaria meus deuses e mitos em voz baixa se o hedonismo me permitisse brandura e compaixão, mas não funciono assim. as palavras que afagam também ferem e quero matar esperanças com elas.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

imagunariums


é apatia de pintura abstrata

um Dali e menos que esquizofrenia

retratos de demônios resgatados

disfarçados dentro de hipocondrias

o que mais dói são centelhas

a companhia exata caminhando pelas telhas

as falas abstratas vazando por virtuais janelas

sim, a solidão acompanhada, sempre ela

não chore o dorso que abandonou

as horas já não voltam mais

e somos espaços vazios

entre oceanos e cais.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

hermosa


adorei essa manhã

olhei pela janela

e parecia uma balada

uma música lenta

quase fria

que me trouxe você

e eu nem sei dançar

e eu nem sei dançar

hora de comemorar

dia sem problemas

tão raro, tão caro

uma música lenta

quase ria

e me trouxe você.

terça-feira, 28 de abril de 2026

la mujer y la ventana


farfalha como o vento 

pelos vitrais embaçados 

e os olhos medonhos 

alimentam seus seios 

 

bela menina chorosa 

se despe como brisa 

suave e fria 

já não quer sonhos 

 

translúcida brilha 

entre os cristais desbotados 

numa manhã falha 

e inesquecível. 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

debitum


e com essa tranquilidade

proclamam-me descartável?

mal temo o ecoar

da ira das vozes

de mil vozes sutis

dizendo da mágoa

que teimei sufocar

o artifício é a confissão

a entrega do crime pelo criminoso

sou demais propensa a me acusar

sim, te amei e amo!

sou cruel e egoísta por sentir

e na altura de minha inconstância

passei por teus estados

e segui-te cega e benevolente

à minha revolta impus silêncio

curvei-me à lei de todos

e não nego os excessos

não espero teu zelo

ou teu perjúrio

aplicai-me teu selo

castigue-me se te apraz

só resta a pena.

sábado, 25 de abril de 2026

casca


se gritar meu nome

com voz ocre

e fingir que não ouço

deitada sob seu peito

agudo e só, não me culpe

o silêncio é fardo

das dores que trago

como os golpes

que me infligira

ainda em seu ventre

por não chorar me calo

antes que me estupre.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

pintura negra


quando um vulto incauto

tomar-te os olhos

e prender tua fala

não chore

ele mal te olha

e nele não há glória

há só o medo

nas sombras de Goya.

valentia

guardaria meus deuses e mitos em voz baixa se o hedonismo me permitisse brandura e compaixão, mas não funciono assim. as palavras que afagam...