terça-feira, 14 de abril de 2026

Mérimée


enquanto esses olhos chora

mas vísceras já não sangram

foram despejados da morada

não habitam mais meu coração


se quero do outro me calo diante dele

transmuto-me Carmem

travestida em lábios carmim


quem dera saber ser eu

não sofrer mais

não mais sentir


quem dera...não mais carmim!


rogo para que essas mãos

e essa carne encardidas

não mais te enganem

estou distante de tudo


já não tenho compromisso

com a verdade plena

ou reservas para paixões tardia


as promessas se calaram numa ópera sofrida

e aquele olhar impetuoso

não me pertencem mais.

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