quinta-feira, 19 de março de 2026

o segredo das matrioskas

hei de propagar com fé

idílica e profana seu nome nada pagão

vangloriar a assimétrica imperfeição

e as dádivas ocultas da vida

ouvi o dono da noite num chamado

ecoado da sua cantiga vívida que modificava urais

pedindo que ressoassem sua obra pura

hei de ocultar-lhe em versos visíveis

livres da visão atormentada dos que

não têm louro ou serventia

entoarei uma divindade moura que ele ostenta

e dirão que deuses são mudos

para manter o mistério do silêncio

e cada vez que calo é seu o segundo morto

o que sinto é hábil tom destoante

o seu nome distinto e escondido em si.

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