domingo, 15 de março de 2026

horas inteiras


o movimento dos ponteiros de segundos

perduram entre os sorrisos falsos

sobre o piano calado

todos datam a eternidade

 

quem dera a velocidade dos carros

desse o compasso do tempo

preso nas celas por cordas

de minha goela seca

 

não há amor na revolução

há apenas retratos mudos

desbotados pela distância

e por lembranças deturpadas

 

quem dera essas balas do tambor

de meu revolver fossem palavras

e estourassem o vazio do tic-tac

que trago em minha cabeça

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