domingo, 15 de fevereiro de 2026

déjà vu


a lembrança que me veio hoje foi da noite que passei em claro, velando seu sono. seus cabelos debruçaram sobre a face branda e por vezes sorria. ainda me afeta o fato de olhar você dormindo e me pergunto como pode um menino repousar dentro de um corpo de homem. a respiração era forte, constante e o ar estava cheio de esporos de Manoel de Barros. sou suspeita, mesmo me deletando nesse olhar lascivo, já me apaixonei por poetas do século passado, engravidei de línguas mortas e palavras que já não são ditas. a gestação não termina nunca e vivo parindo poesia etérea e enganos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

inútil

esse mito outrora rouco explode colide com a terra vermelha do planalto central agoniza depois de grave acidente e jaz encolhido, torto numa...