quarta-feira, 11 de março de 2026

sangria

 

estendi meus braços baldios

como quem devolve a vida

beijei-te o colo e tuas feridas

estanquei tua dor e teus vazios

e como quem nada quer saí

numa fuga doce e insólita

mas desorientada caí no chão

no levante de poeira chorei

tomei-me como forte

continuei fraquejando

e sem erguer os olhos

foi saindo

é este cancro que me dilacera

essa vontade desmedida

que berra como latejar

de doença bandida que corrói

e tuas feridas me tomando

sem tábuas de salvação

te vi saindo

e trancava a porta da frente

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