quem sabe me esqueça
do que lateja
dores infindas de cobiça
carimbadas em olhos negros
sem retina
sem menina
eu
vazia por vontade
a angústia
de tua dinastia
avesso de overdose
sou embuste ambulante
sem personalidade
falo-te de teus rastros
dos hinos de adorar
dos mastros que fincaste
em minhas artérias
não há bandeiras
nem frontes
figas ou figueiras
nessa seringa
de ser
por hora
insira o silêncio
nesse tumbeiro de sonhos
que tornou-se paralisia.
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