segunda-feira, 23 de março de 2026

na vigilância discreta


quem sabe me esqueça

do que lateja

dores infindas de cobiça

carimbadas em olhos negros

sem retina

sem menina

eu

vazia por vontade

a angústia

de tua dinastia

avesso de overdose

sou embuste ambulante

sem personalidade

falo-te de teus rastros

dos hinos de adorar

dos mastros que fincaste

em minhas artérias

não há bandeiras

nem frontes

figas ou figueiras

nessa seringa

de ser

por hora

insira o silêncio

nesse tumbeiro de sonhos

que tornou-se paralisia.

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